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quinta-feira, 23 de maio de 2013

Museu de Cera

O Professor e sua Maria Antonieta

Vale lembrar que a película "Museu de Cera" (House of Wax) foi pioneira dentro dos estúdios Warner a utilizar o recurso do 3D, que era obtido através de um processo rudimentar chamado estereoscopia. Nesta obra de 1953, o ator Vincent Price interpretou o "Professor Henry Jarrod", um sensível escultor que buscava a perfeição de seus bonecos de cera, principalmente de sua "Maria Antonieta".

Os bonecos eram exibidos em um museu que passava por sérias dificuldades financeiras e são destruídos durante um incêndio provocado pelo sócio de Jarrod, que tinha como objetivo receber o dinheiro do seguro. O "Professor" tentou de todas as formas impedí-lo, mas acabou levando a pior numa briga.  

Deformado pelas chamas, o então delicado "Professor" perdeu a fé na humanidade e se tornou uma criatura obcecada pela beleza das formas de seus bonecos, passando a utilizar cadáveres reais por baixo da cera. Durante as noites, saía pelas ruas de Nova York cometendo crimes e assassinatos em busca de modelos para seu novo museu, sempre contando com a ajuda de dois capangas. 

Um deles é o surdo-mudo Igor, vivido por "Charles Bronson" em início de carreira. O outro é interpretado pelo ator "Nedrick Young", que teve seu nome suprimido dos créditos por fazer parte da lista negra do período do "macarthismo". Num elenco de qualidade, vale ressaltar ainda a presença da futura "Mortícia" do seriado "Família Addams", a atriz "Carolyn Jones", figurando como molde para a "Joana D'Arc" do museu. 

Todos sob a competente direção de André De Tooth, que conseguiu transmitir um clima de intenso suspense e terror através dos bonecos de cera. Num momento crucial da trama, Tooth teve de garantir ao ator Paul Picerni que a cena da guilhotina seria realizada em uma única tomada. Afinal, tratava-se de um aparelho verdadeiro, um capricho do então chefão Jack Warner.

Por uma  incrível ironia do destino, o diretor era cego de um olho e não podia ver o efeito do novíssimo recurso de terceira dimensão, que levou milhares de pessoas ao cinema para conferir a novidade.

sábado, 11 de maio de 2013

Em 3D


Mestre inigualável do suspense, Alfred Hitchcock divertiu e gelou as platéias com sustos antológicos em obras clássicas do cinema. Podemos observar ainda que o diretor era bastante crítico em relação aos seus próprios filmes. Dizia, por exemplo, que "Disque M para Matar" (Dial M for Murder) era um de seus trabalhos de que menos gostava.

A história, no entanto, lhe agradava. Tanto que decidiu realizar essa obra cinematográfica ao saber que a Warner Bros havia comprado os direitos da peça escrita por "Frederick Knott". Com a predominância de diálogos de primeira, a origem teatral domina a história. Tudo foi filmado em estúdio, com a capital inglesa projetada no fundo.

Na história, Tony Wendice (Ray Milland) está casado com a linda e doce Margot Mary Wendice (Grace Kelly). Mas quer matá-la para ficar com sua fortuna. Para isso, convence um velho conhecido dos tempos da universidade para praticar o crime. Tudo parecia bem planejado até ser atrapalhado por Mark Halliday (Robert Cummings), no papel de amante, e uma simples chave.

Mas diante de tantos predicados, a curiosidade fica por conta da utilização de uma nova tecnologia, o efeito tridimensional. E para que houvesse a ilusão de profundidade, "Hitch" utilizou duas câmeras acopladas e mandou construir um fosso no estúdio. 

Pelo profissionalismo de Hitchcock, podemos considerar que o filme seja um dos primeiros a levar o efeito 3D a sério, como parte da narrativa. A sensação era a de que o público estava acompanhando uma ação ao vivo, como numa peça teatral.

Na época, ocorreram pouquíssimas sessões do suspense e a tecnologia nunca funcionou de forma efetiva nos equipamentos residenciais. O efeito continuou sendo utilizado em VHS e depois em DVDs com óculos de celofane magenta e ciano.